O sobe e desce dos curruptos!

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

O CHEFE - JORNALISTA IVO PATARRA - 1° Capitulo

O livro do Jornalista Ivo Patarra é de domínio público . O brilhante Jornalista na impossibilidade de conseguir uma Editora, preferiu coloca-lo na Internet, tornando sua leitura livre a todos.
O  CHEFE -  A história dos 403 dias do escândalo do mensalão, o maior esquema de corrupção de todos os tempos no Brasil. Os acontecimentos que abalaram o país e paralisaram o governo do PT, sob o comando de Lula e dos homens do presidente.

"A DEMOCRACIA É O PIOR REGIME, EXCETO TODOS OS OUTROS'.
                    Winston  Churchill  (1874 - 1965)  Ministro inglês 

"O que podemos afirmar, com tranquila segurança, é que fora da democracia e da Constituição qualquer solução será frágil e transitória. Nosso país, que sofreu tantas vezes sob regimes autoritários de variada inspiração ideológica, tem aprendido, aos poucos, a lição da democracia. No regime democrático, a solução dos problemas será lenta e dificil, mais virá. As soluções fáceis, na maioria das vezes, são os atalhos do autoritarismo e do salvacionismo".

            (Do relatório final da CPI dos Correios, em 29/03/2006)

"Nem sob os anos da ditadura a direita conseguiu desmoralizar a esquerda como esse núcleo petista fez em tão pouco tempo. Na ditadura, apesar de todo sofrimento, perseguições, prisões, assassinatos, saímos de cabeça erguida e certos de que tínhamos contribuído para a redemocratização do país.
Agora não. Esses dirigentes desmoralizaram o partido e respingaram  lama por toda a esquerda brasileira".
                (Frei Betto, amigo histórico de Lula, em entrevista no jornal  O Estado de S.Paulo)
                                     O Estado de S.Paulo, em 24.8.2005.

Nas décadas de 60 e 70 do seculo 20, não foram poucos os brasileiros a desafiar os "donos" do poder e a combater por liberdade democrática. Muitos tombaram, mas a luta não foi em vão.  Hoje o Brasil é um país livre e democrático, como demonstram os serviços prestados pela imprensa na apuração do escândalo do mensalão. Nesse início de século 21, a luta das forças progressistas é por justiça social e distribuição de renda. E a luta passa prioritariamente pelo combate à corrupção. A construção de uma sociedade sem tantas desigualdades pressupõe uma imprensa atuante, sempre pronta a denunciar o clientelismo, o fisiologismo e o chamada toma-lá-dá-cá. Jornalistas têm a missão de zelar pela transparência das ações do poder constituido e pela boa aplicação do dinheiro público, apontando desvios e demais expedientes que lesem os direitos e os legítimos interesses do povo. Se houver responsabilidade e espírito público, teremos nas mãos as ferramentas necessárias para assegurar investimentos em projetos sérios, eficientes e de alcance social. Dessa firma, transformaremos o Brasil num país desenvolvido e em uma grande nação. O escândalo do mensalão confirma, uma vez, mais,  que a imprensa livre, pluralista e vigilante, é imprescindível à democracia e ao Estado de Direito. Nada melhor para a sociedade do que jornalistas determinados, incapazes de se curvar a pressões econômicas, chantagens politicas ou ao benefício das sempre generosas verbas publicitarias, em troca de omissão e do silêncio sobre o jogo sujo dos "donos" do poder. Este livro homenageia dezenas de profissionais de imprensa, aqui citados nominalmente. São repórteres que não se intimidaram, não abaixaram a cabeça aos poderosos da vez, e contribuíram de forma decisiva para desvendar e elucidar o mais extenso e complexo esquema de corrupção governa- -mental da história brasileira, em todos, os tempos. Ivo Patarra - Julho de 2006

LULA,  O  CHEFE

O Palácio do Planalto bem que tentou abafar, mas desde o inicio o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, esteve no centro da crise politica. O escândalo eclodiu em 14 de maio de 2005, com a divulgação de uma gravação clandestina pela revista Veja,  Maurício Marinho, funcionário dos Correios, pôs no bolso do paletó R$3 mil. Propina. De cara, a evidente vinculação do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) ao esquema de corrupção. Os Correios eram área de influência do partido, uma das agremiações integrantes da base aliada do governo federal, capitaneada pelo PT (Partido dos Trabalhadores)l, a legenda de LULA.
Enquanto os telejornais escancaravam a fita com as imagens de Maurício Marinho enfiando o dinheiro no bolso, Lula apressava-se em defender o deputado Roberto Jefferson (RJ), o presidente nacional do PTB. Palavras  de Lula, alto e bom som:
   - Precisamos ter solidariedade com os parceiros, não se pode condenar ninguém por antecipação.
   - Lula se pronunciou durante almoço com aliados. O presidente insistiu:
   - Parceria é parceria. Tem de ter solidariedade.
   E arrematou para não deixar duvidas:
   - Essa é a hora em que Roberto Jefferson vai saber quem é amigo dele e quem não é.
    Lula estava preocupado. Recorda-se que, alguns meses antes, dissera a seguinte frase endereçada a Jefferson, em meio ao noticiário que especulava sobre um pagamento de R$10 milhões do PT ao PTB, com vistas a "comprar" o apoio dos trabalhistas às eleições municipais de 2004.
    Eu te daria um cheque em branco e dormiria tranquilo.
    A gravação de Maurício Marinho trouxe outras complicações. O funcionário dos Correios mencionou uma empresa, a Novadata. Pertence a Mauro Dutra, o Maurinho, amigo de Lula. a Novadata é uma fornecedora de computadores ao governo federal. Em dois anos e meio de administração Lula, faturou R$273,5 milhões. Como se sabe, Maurício Marinho desandou a conversar com os interlocutores que o subornavam, sem saber que estava sendo gravado.
Aqui uma pausa, para registrar. LULA passou o réveillon de 2001 na mansão de Mauro Dutra em Búzios, no badalado litoral do Rio. O mesmo Dutra  que fez contribuições  ao PT, arrecadou  dinheiro para o partido e emprestou avião a LULA. Na fita, Marinho fala de "acertos" em licitações. Descreve manobra da Novadata para superfaturarinjustificado de R$3.700,00 para R$6.000,00.
Logo  nos primeiros dias da crise, LULA trabalhou abertamente contra a ideia de se criar uma CPI (Comissão Parlamentar e Inquérito) para investigar a corrupção nos Correios. Foi decisão de governo, a administração federal iria liberar dinheiro de emendas ao orçamento, a todos os parlamentares que votassem contra a CPI.  Jefferson estava cada vez mais isolado. Os estrategistas do presidente não atentaram para o erro fatal.
Em 6 de junho de 2005, Jefferson concedeu uma entrevista bomba ao jornal Folha de São Paulo. O Brasil não era mais o mesmo. A manchete, na primeira página, para não deixar dúvidas: "O PT dava mesada de R$30 MIL  a parlamentares, diz Jefferson". NASCIA O ESCÂNDALO DO MENSALÃO.
Leal ao presidente que procurou protegê-lo, Jefferson tentou deixar LULA fora da crise. Mas logo implicou o superministro José Dirceu (PT/SP). A entrevista reproduziu a reação de Dirceu, assim que ouviu Jefferson falar sobre os repasses. A tarefa de fazer a distribuição do dinheiro era de responsabilidade do tesoureiro deo PT, Delúbio Soares. Palavras de Dirceu: - Eu falei para não fazer.
Ora, se o todo-poderoso ministro da Casa Civil, braço direito de LULA, disse a Delúbio Soares não fazer, ficou implícito  que a prática já fora pensada, discutida e era de conhecimento do chamado "núcleo duro" do governo. Destaca-se que Delúbio tinha relação histórica com LULA. Jefferson continuou o seu relato à Folha, envolvendo outros importantes auxiliares do presidente.
Se os mencionados conheciam os fatos, ficaram com a obrigação  de encaminhar as denúncias  a LULA, assim que foram informados. Afinal, o presidente não poderia permancer alheio a um esquema de entrega sistemática de dinheiro a parlamentares. Isso, claro, se já não soubesse muito bem o que acontecia.
Jeffersson  levou informações sobre o mensalão ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Da mesma forma que Dirceu, deveria contar tudo o que lhe foi relatado ao presidente. Assim, providências enérgicas impediriam o prosseguimento da prática de suborno. Independentemente das convicções do ministro. Conforme Jefferson, Ciro disse que não acreditava na história da transferência de dinheiro de caixa 2 para a base aliada.
Informado por ministros leais, LULA não poderia fugir do seu dever constitucional de determinar a imediata abertura de investigação, com a finalidade de punir os eventuais culpados.
Depois foi a vez de Miro Teixeira, o ministro das Comunicações. O deputados José Múcio (PTB/PE) e João Lira (PTB/AL) testemunharem a conversa na qual Jefferson pediu para Miro contar tudo a LULA. Tem mais. Jefferson também discutiu a problema com o deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP), o então lider do governo LULA na Câmara, e garante que expôs tudo ao ministro Antonio Palocci (PT/SP), outro  integrante do "núcleo duro" do governo. O recado estava dado.
Aparentemente, so Miro tomou a coisa a sério. A prova é a entrevista concedida por ele em 24 de setembro de 2004 ao Jornal do Brasil, na qual alardeou que havia pagamento a parlamentares ligados a base do governo. Não houve consequências. Miro, no entanto, já havia narrado o caso ao presidente. Aí é que a coisa pega. Foi em 25 de fevereiro de 2004. Na época, o deputado Miro se traferira ao PT e assumira a liderança de LULA na Câmara. O episódio aconteceu logo depois do escândalo que culminou com a saída de Waldomiro Diniz do Ministério da Casa Civil, no primeiro grande caso de corrupção da era LULA.
Miro era assediado por deputados que temiam pelo fim da "mesada" fornecida pelo governo, uma hipótese aventada com a saída de Waldomiro. Afinal, o assessor de Dirceu cuidava justamente da relação da administração federal com o Congresso. Miro foi duro. Disse ao presidente que deixaria a liderança do governo. Não aceitava os pagamentos. Com ar de surpresa, LULA garantiu desconhecer o assunto. Mas disse que iria discuti-lo, sem falta, com Dirceu. Nada.  Pouco mais de um mês depois, Miro voltou    ao Palácio do Planalto e pediu para sair da liderança. Substituiu-o o deputado Professor Luizinho (PT/SP), aparentemente um dos expoentes do mensalão.

......continuaremos no próximo  capitulo,,,,,,obrigado pela audiência.....









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